quarta-feira, 23 de março de 2016

O Comando de Linha de Fogo - Generalidades



A bateria de artilharia de campanha é a menor fração de tropa dessa arma capaz de cumprir missões de tiro de forma autônoma, e mesmo operando dentro de um sistema de apoio de fogo amplo, pode operar independentemente em apoio a uma determinada tropa se assim for designada. Enquanto seu comandante cumpre as tarefas de coordenação tática-operacional de sua subunidade, seja na missão em que está atuando ou em ligação juntos aos escalões superiores, e orienta as sempre necessárias e onipresentes demandas administrativas operacionais; delega a um oficial subalterno o comando de sua linha de fogo, que atua como seu auxiliar e se encarrega de fazer funcionar o principal elemento da bateria.

O Comandante de Linha de Fogo ou CLF, é o oficial encarregado de fazer o elemento operativo da bateria atuar, ou seja, fazer com que as missões de tiro que lhes forem passadas se transformem em impactos junto aos alvos designados. Cabe a ele providenciar para que a linha de fogo (LF) da bateria se desloque até as posições de tiro designadas por seu comando e lá desdobra-la colocando-se em condições de cumprir sua missão. 

Ele guia a sua LF até as posições designadas, comanda aos seus artilheiros o desdobramento do material de artilharia para colocar-se em condições de executar o tiro indicando a direção geral de tiro (DGT) e certificando-se que todas as rotinas necessárias foram cumpridas, executa a pontaria inicial de sua bateria, determina a elevação mínima e os limites de tiro e segurança que suas peças poderão operar a fim de que não atinjam obstáculos a sua frente como elevações ou edificações, repassa a central de tiro (CTir) de seu grupo todas as informações relevantes à posição que acabou de ocupar, comanda às suas peças as missões de tiro que lhes forem imputadas com a necessária e singular adequação de pontaria que cada missão demande, e em caso da bateria estar atuando de forma isolada acumula as funções de comandante e operador de central de tiro. O CLF determina ainda os limites máximos de segurança para o caso de execução do tiro vertical (acima de 45º).

O CLF pode ainda auxiliar o comandante de bateria e o estado maior do grupo nas rotinas de reconhecimento e escolha de posições de bateria e posições de troca. Pode atuar também como subcomandante de bateria se assim for designado e assumir na ausência do comandante suas funções, bem como assumir outras funções dentro da bateria que lhes forem julgadas convenientes e estejam dentro de suas possibilidades, porém que em hipótese alguma prejudiquem a execução do tiro, razão de ser da bateria de artilharia.

domingo, 14 de junho de 2015

Modalidades do Tiro de Artilharia

Obuseiro Inglês Light Gun de 105 mm

O tiro de artilharia pode assumir um variado número de modalidades, de acordo com o efeito que se busca junto às fileiras inimigas. Em sua missão de apoio de fogo, a artilharia de campanha não visa apenas a destruição do inimigo, mas a alocação de fogos oportunos a cada situação tática, atuando em proveito das necessidades da arma apoiada e do escalão a que está subordinada.

Estes tiros são classificados quanto ao resultado que buscam alcançar, sendo o mais conhecido o efeito de neutralização. A neutralização é alcançada quando o tiro cai diretamente sobre a posição do inimigo visada, causando-lhe baixas e forçando-o a abrigar-se. Este tiro tem o poder de desorganizar suas rotinas diminuindo sua eficiência em combate, e devem chegar ao alvo de forma repentina e intensa a fim de destruir o maior número de meios e desdobramento que o inimigo tenha empreendido naquela posição. É o tiro que apoia diretamente a arma-base, que pode avançar sobre as posições batidas de forma eficaz e segura.

O tiro de destruição busca não à "amaciar" o terreno para o avanço dos combatentes de infantaria ou cavalaria, mas sim a destruição até o fim de alvos específicos. É dirigido contra alvos materiais e atinge maior eficiência quando efetuado por disparo direto e com materiais de maior calibre possível. Exige observação apurada, precisão dos disparos e implica em grande consumo de munição, pois só cessa quando o alvo for considerado destruído.

O tiro de interdição, como o próprio nome diz exige menos dos artilheiros, seja em precisão ou consumo de munição, e sua finalidade é impedir a utilização da área de impactos pelo inimigo. Este tipo de tiro é dirigido a nós rodoviários, acesso a pontes, estreitos e gargantas, passos e desfiladeiros. Não visa alvos humanos nem materiais, mas sim efeitos temporários de inacessibilidade a determinado ponto.

Os tiros de inquietação visam a abater o moral do inimigo, através de bombardeios intermitentes a fim de impedir que busque alguma sensação de segurança em determinado momento. De baixa intensidade, visam a "esquentar" momentos de relativa tranquilidade, impedindo que o inimigo durma bem ou relaxe, atrapalhe seus movimentos, cause alguma baixa e mine sua capacidade de combate.

Área de impacto da artilharia


O tiro iluminativo é realizado com munição especial, de queda retardada e visa a proporcionar alguma iluminação através de pirotecnia para operações noturnas. Este tipo de tiro perdeu parte de sua importância com o advento de novas tecnologias como os intensificadores noturnos e dispositivos termográficos. Pode porém ser empregado em algumas situações, principalmente de grande envergadura onde muitos combatentes não dispõem destes equipamentos.

O tiro fumígeno também é realizado com munição especial e visa a sinalização e balizamento do campo de batalha, bem como a ocultação da vista do inimigo de movimentos e outras situações que não se deseja que ele veja, como por exemplo uma transposição de curso d'água. É particularmente útil  para frustrar a missões do OAs inimigos com impactos imediatamente no seu campo de observação.

Outro tipo de tiro frequentemente realizado e que não visa ações de combate é o tiro de regulação, cuja finalidade é ajustar os elementos de tiro às condições locais (temperatura, pressão do ar, ventos, etc...). Estes tiros são efetuados contra alvos auxiliares (uma árvore por exemplo) e buscam uma maior precisão nos disparos subsequentes, em missão operacional.

Impacto único de artilharia


Outros tipos de tiro podem ser empreendidos com finalidades especiais. Tiros de propaganda podem dispersar panfletos por exemplo, junto ao inimigo tentado convencer os combatentes a rendição; tiros com munições especiais de precisão podem atingir móveis como carros de combate em movimento e requerem dispositivos de orientação. No Vietnam os americanos utilizaram a artilharia para "plantar" sensores de trilha que detectavam a vibração no solo e alertavam para o movimento naquela região. Pode-se ainda disparar granadas químicas, biológicas e nucleares, estas de forma pouco usual. 

Os tiros previstos são àqueles previamente preparados e locações precisamente determinadas enquanto os inopinados dependem do transporte a partir de um alvo auxiliar e ajustagem prévia.

Os tiros podem ainda ser observados ou não. Os primeiros demandam menor quantidade de munição e são mais precisos, enquanto os segundo só devem ser empreendidos contra alvos precisamente determinados ou a partir de alvos auxiliares já regulados.

Temos ainda a classificação dos tiros quanto a sua forma. Os tiros de concentração são aqueles que impactam de forma emassada sobre um terreno limitado. Os tiros Hora-no-alvo são uma modalidade de concentração onde se ajusta o tempo de disparo de cada boca de fogo de acordo com sua distância do alvo a fim de que todos os disparos atinjam o alvo exatamente no mesmo instante. Os tiros de barragem são uma forma de tiro que visam criar uma barreira no campo de batalha com impactos caindo linearmente. Esta forma de tiro visa a compartimentar temporariamente o espaço desautorizando acessos pelo fogo. O tiro por peça é aquele dirigido por uma única peça a um alvo previamente determinado e pontaria já pronta. 

Observador avançado (OA)



sábado, 13 de junho de 2015

Limitações e Possibilidades da Artilharia de Campanha

Bateria de artilharia em deslocamento
A artilharia de campanha, como qualquer outra arma possui suas características operacionais próprias que definem seu envelope de combate. Caracterizada como arma de apoio, a artilharia de campanha não tem como vocação o contato íntimo com o inimigo, fator pelo qual também não conta com as blindagens mais poderosas. A proteção blindada, quando presente, é limitada a proteção contra armas leves, sendo a proteção mais pesada proporcionada pela unidades que se encontram entre ela e o inimigo. Sua disposição no terreno, apesar de planejada para fazer frente a incursões ocasionais, não é suficiente para contrapor a um ataque organizado pela infantaria inimiga, especialista neste tipo de combate.

Devido a necessidade de ser desdobrada no terreno para cumprir sua missão de tiro, também possui alta vulnerabilidade a ação de meios aéreos, fator que a faz depender de cobertura, seja pela artilharia anti-aérea, seja pela aviação de caça. Esta vulnerabilidade é em parte sanada pela rapidez com que entra em posição, efetua seus disparos, e abandona esta posição o mais rápido possível, pois além do assédio aéreo, seus disparos podem ser imediatamente captados pelos radares de contrabateria com consequente represália imediata. Quando em deslocamento, principalmente em estradas, se torna extremamente vulnerável a ação do inimigo e deve contar com redes de proteção bem concebidas. Os momentos de deslocamento ou troca de posição também implicam na redução do apoio, sendo efetuado, se necessário, de forma escalonada.

Artilharia se deslocando em terreno difícil
A munição de artilharia de campanha, principalmente nos calibres médios de 155mm ou 152 mm é pesada e volumosa, pesando um único projétil cerca de 45 kg somente a granada. Considerando que uma única missão de tiro pode disparar cerca de 40 projéteis ou mais, tem-se uma ideia no esforço logístico necessário quando em uma operação de alta intensidade, demandando a atenção exclusiva de viaturas pesadas de transporte de munição em quantidade considerável. 

Outro requisito da missão da artilharia é a precisão de seus fogos. Obter máxima precisão demanda preparação, envolvendo regulações de tiro frequentes contra alvos auxiliares. Estas regulações ocupam o tempo das baterias que não cumprem missões de combate enquanto às executam. Outro problemas das regulações é o risco de sacrifício da surpresa, visto que é difícil esconder do inimigo que se está preparando para o tiro.

Porém nem só de problemas operacionais vive a artilharia, sendo suas possibilidades sempre bem vindas pelo elementos apoiados. Uma das características da artilharia, não compartilhadas pelas armas-base que apoia, é a capacidade de atirar em determinado alvo, reapontar e atingir outro em poucos minutos a muitos quilômetros de distância do primeiro, sem mudar sua posição de tiro. A artilharia de campanha pode deslocar seus fogos em direção e profundidade permanecendo na mesma posição, se a situação tática assim permitir.

Bateria de M109 em posição. Notar a munição descarregada

A artilharia de campanha pode unir seus fogos, de várias baterias, em um único alvo ao mesmo tempo, dispersar-se em seguida com cada bateria batendo um alvo diferente e voltar e reuni-los em outros alvo nos minutos seguintes, bastando para isso um novo cálculo de tiro que é efetuado em pouco tempo. Esta característica de emassar seus fogos, desagregá-los e em seguida emassa-los novamente a torna extremamente poderosa e temida, pois seus efeitos são devastadores.

Pode ainda operar em condições meteorológicas adversas, em terreno difícil, com ou sem preparação, podendo se necessário, disparar sem ajustagem prévia. Pode ainda atirar sobre frentes em linhas transversais como posições defensivas inimigas ou linhas longitudinais como um comboio se deslocando em uma estrada. Pode saturar áreas extensas ou bater alvos ponto, pode atingir com precisão veículos em deslocamento se dispor de munição inteligente, atirar com precisão de horário ou realizar o tiro direto ou tenso, diferente de sua vocação balística. Pode iluminar o campo de batalha, dispersar propaganda, empreender ações ofensivas de guerra NBC e atirar sobre alvos ocultos por elevações e outros acidentes do terreno.

Pode ainda empreender missões de cunho estratégico se dotada de material adequado, ser helitransportada se dotada de material leve, entrar e sair de posição com extrema rapidez quando dotada de material autopropulsado, deslocar-se na montanha ou no lombo de animais quando dotada de material desmontável ou muito leve.

Saber maximizar suas possibilidades e contornar suas limitações é a função do artilheiro, que um dia após o outro aprimora seu adestramento e desenvolve novas práticas e modos de operar desta arma, fazendo-a a dominadora dos campos de batalha. 

Disparo de obuseiro de 155 mm


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Material de Artilharia de Campanha

Sistema de lançadores múltiplos russos.

Denomina-se material de artilharia ao equipamento utilizado pelos artilheiros para cumprir sua missão. O material principal são as bocas de fogo, o equipamento mais visível e que desperta a maior atenção de todos que se interessam pelo tema, artilheiros ou não. 

No entanto, não só de bocas de fogo é feita a artilharia de campanha, pois uma série de outros equipamentos complementares e não menos importantes são utilizados para a realização de um tiro preciso, eficaz e oportuno. Estes ítens incluem o material utilizado para cálculo e pontaria como goniômetros-bússola (GBs), lunetas panorâmicas, calculadoras balísticas, GPS, material de prancheta e réguas de tiro, por exemplo. Incluem ainda o material de observação do tiro como binóculos e telêmetros, o material de comunicações que liga OAs às centrais de tiro (CTir) e estas às baterias de tiro, entre outros de importância secundária. Este material bem como a munição de artilharia serão descritos em artigos próprios.


Sistema autopropulsado M109 norte-americano de 155 mm

As Bocas de Fogo

A artilharia de campanha vale-se de dois tipos básicos de bocas de fogo: O material de tubo e os lançadores múltiplos de foguetes. Como material de tubo existem os canhões de campanha, os obuseiros e os morteiros.
  • Canhões de Campanha: Este equipamento caracteriza-se por operar com grande velocidade inicial e ângulos de elevação de até 45º, dotados de tubos relativamento longos. Estão em desuso na atualidade pois são superados pelos obuseiros quem cumprem com vantagens sua tarefa.
  • Obuseiros: Este equipamento opera com velocidades menores que os canhões. Possuem tubos de menor comprimento e pode operar com elevações acima dos 45º, o que os habilita a realização do tiro vertical. São considerador leves obuseiros de até 120 mm, médios os de até 160 mm e pesados os calibre superiores, em desuso no presente. Esta classificação também se aplica aos canhões de campanha, que aos olhos do observador leigo é o mesmo equipamento.
Sistema M777 auto-rebocado norte-americano de 155 mm

* Tiro Vertical: É o tiro que se utiliza de elevações do tubo acima dos 45º.
  • Morteiros: Este equipamento também é usado pela infantaria e cavalaria como seu apoio de fogo orgânico. A artilharia de campanha o utiliza em calibres mais pesados como os de 120 mm e superiores. É um material leve em relação aos anteriores e atira somente em modalidade de tiro vertical. Sua principal vantagem é seu baixo custo, altíssima mobilidade devido a seu baixo peso, podendo ser transportado por helicópteros pequenos ou tracionados por viaturas leves. O alcance é muito inferior aos obuseiros. Adequado a equipar brigadas leves de altíssima mobilidade.
Sistema de morteiro de 120 mm

  • Lançadores Múltiplos de Foguetes: Este equipamento é capaz de disparar foguetes em série e alocar uma quantidade de granadas sobre seus alvos num volume muito superior aos obuseiros e morteiros. É uma arma estratégica e muito temida, sendo seus efeitos devastadores. Uma característica deste equipamento é o elevadíssimo consumo de munição e consequente necessidade de apoio logístico pesado.
Sistema de lançador múltiplo Astros II do EB
Todo este material pode ainda classificar-se como sendo rebocado ou autopropulsado, estes últimos quando são integrados a viatura que os dá mobilidade e dela não podem ser separados, fazendo-a de reparo

Sistema autopropulsado não blindado montado sobre caminhão

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O Problema Técnico Fundamental da Artilharia.

Equipamento M109A3 de 155 mm do EB em posição de tiro


Posicionada a certa distância das linhas de contato, a artilharia de campanha tem a sua frente, entre sua posição de tiro e as posições do inimigo que lhe servirão de alvo, não só a tropa apoiada, mas também as dobras do terreno. Esta distância pode variar muito de acordo com o alcance do material, geralmente indo de três a trinta quilômetros em material de tubo em apoio a arma-base; e muito mais que isso se tratando de lançadores múltiplos de foguetes.

Com tantos obstáculos não é possível a realização do tiro direto, fato complementado pela necessidade das baterias em posicionar-se em locais ocultos a observação inimiga e ao fogo de suas armas de tiro tenso, fundamental para sua própria segurança, já que a artilharia não conta com a blindagem nem a mobilidade imediata dos carros de combate.




Para resolver este problema os artilheiros desenvolveram o técnica de tiro de artilharia  de campanha, que viabiliza a realização do tiro indireto, ou seja, utilizando-se de trajetória balística e aproveitando as características da força da gravidade, dispara seus projéteis para o alto por sobre as elevações e cabeças da tropa amiga. Estes disparos acabam por impactar nas áreas-alvo, sempre observados pelos artilheiros de vanguarda, os observadores avançados ou OAs, que retornam suas considerações a respeito do tiro para os calculadores nas centrais de tiro, corrigindo e ajustando-o para que atinja eficiência máxima.

Uma bateria de tiro ao posicionar-se, direciona suas bocas de fogo para uma direção geral de tiro previamente definida. Quando da execução da missão de tiro, os calculadores "plotam" em uma prancheta um ângulo de tiro medido em relação a um ponto conhecido como o norte magnético por exemplo e uma distância da bateria até o alvo. Baseado em tabelas já existentes, define um ângulo vertical de tiro com base nas leis balísticas e uma carga de projeção apropriada, para que a bateria possa efetuar seus disparos. A este ângulo deverá ser acrescido (ou decrescido) de outro que compense a diferença de altitude da bateria em relação ao alvo, conforme ela esteja abaixo ou acima dele, denominado ângulo de sítio.

Podendo este cálculo ser manual, como na segunda guerra mundial, ou contando com meios modernos como calculadoras balísticas que consultam sistemas como o GPS para medir a distância até o alvo e o ângulo de sítio, a técnica de tiro de artilharia de campanha garante a eficácia desta arma em batalha, apoio sempre bem-vindo por infantes e cavalarianos no cumprimento de suas missões, e garantidora de seu sucesso.


Oficiais do EB em exercício de reconhecimento

terça-feira, 9 de junho de 2015

Missão da Artilharia de Campanha

Equipamento M114 AR de 155 mm do EB disparando
A artilharia de campanha é a arma cuja missão é apoiar pelo fogo a missão das armas-base, infantaria e cavalaria. Responsável pelo maior número de baixas em uma campanha militar, cabe a artilharia de campanha preceder com seus fogos o avanço daqueles que travarão o combate aproximado, facilitando sua tarefa de engajar o inimigo. Ao avançar, as forças de vanguarda de um exército encontrarão pela frente um oponente desorganizado e debilitado, graças a ação preparatória dos fogos devastadores lançados a sua frente, por sobre suas cabeças.

Posicionada a retaguarda do dispositivo, não cabe a artilharia travar contato direto com o inimigo, situação que a deixaria e nítida desvantagem, pois não é treinada nem equipada para tal, embora tenha alguma capacidade de autodefesa como é comum a todas as armas de apoio.


Sistema de lançador múltiplo chinês

Além de apoiar a tropa de vanguarda, cabe a ela a realização dos fogos de contrabateria, ou seja, travar oposição a artilharia inimiga, inibindo sua ação contra os elementos em manobra das forças amigas, situação onde se torna relevante o alcance do equipamento empregado. Fogos de contrabateria são mais eficazmente empregados se as baterias contarem com material de alcance superior àquelas visadas, pois não estão sujeitas a contrabateria mútua. 

Outra missão atribuída a artilharia de campanha é o aprofundamento do combate através dos fogos de interdição realizados a retaguarda do dispositivo inimigo a fim de frustrar a operacionalidade de suas estruturas de apoio como postos de comando, áreas de apoio logístico, centros de comunicações, tropas de reserva, instalações e outros alvos importantes. Esta missão requer material de grande alcance e geralmente cabe a artilharia dos escalões superiores, como a divisão e o exército de campanha.

Sistema de morteiro de 120 mm.

Para bem cumprir a missão que lhe é delegada, a artilharia de campanha conta com vários subsistemas operacionais que agem de forma complementar e sinérgica, a fim permitir o disparo oportuno e eficaz de seus fogos. Estes subsistemas, todos operados por oficiais da arma, são igualmente importantes à sua eficiência, e a supressão de qualquer um deles pode comprometer totalmente a eficácia em combate. São eles a linha de fogo, os observadores avançados, os dispositivos de busca de alvos, as equipes de topografia e meteorologia, as comunicações, o apoio logístico e ainda o comando, a direção de tiro e a coordenação de apoio de fogo.


Sistema de 152 mm russo autopropulsado